Em seu projeto para o Museu Judaico de Berlim, ele faz uma analogia a uma peça musical.
É realmente interessante vê-lo conceituar essa proposta tão espetacular em entrevista para uma rádio, em 2001:
"(...) Há uma obra musical que eu uso, não como uma metáfora, não como um som inspirador, mas uma obra que me fez perceber uma espécie de estrutura, e foi deste modo que eu empreguei a música em meu trabalho. (...) Quando estive estudando uma das partes do Museu (Judaico de Berlim), percebi que ali o Museu deveria ser cortado por algo que não exatamente pertencesse a seu tempo, algo que chamei de "O Vazio", que é tanto parte do Museu quanto uma coisa aliena, já que ali não deveria conter nada puramente secular, puramente museológico. Imediatamente me veio à mente a conversação entre Moisés e Aarão, naquela incrível ópera de Schoenberg (Moses und Aron - 1930, de Arnold Schoenberg). (...) Eu percebi que aquela quebra estrutural do segundo ato, onde Schoenberg descontinua a música - embora ele escreva o libreto para o terceiro ato - , não era algo que aconteceu por mero acidente, mas era parte de uma catástrofe no mundo, uma catástrofe do espírito. (...) E Moisés, já diante do final da ópera, definitivamente pára de cantar e toda a orquestra entoa uma única nota (...) então Moisés fala, e há apenas a voz falada, sem canto, clamando por uma palavra, talvez a Palavra, aquela que não é musical. (...) Eu senti a necessidade de completar aquele reverberante senso de distância, implicado naquele intenso inacabado, naquele intenso aforismo o qual a música alcança naquele ponto do tempo, do mundo. Então, eu empreguei o espaçamento daquele ritmo, daquela voz distanciada, daquele eco, nas proporções reais d'O Vazio' do Museu Judaico. Usei um certo sistema proporcional, do qual boa parte advém da estrutura pensada por Schoenberg, e esta foi uma peça que não apenas influenciou minha arquitetura, mas que estruturou diretamente um particular espaço arquitetônico."
DL