Venturi
No livro Inquietação Teórica e Estratégia Projetual, Rafael Moneo cita uma crítica a arquitetura modernista feita por Robert Venturi em Complexidade e contradição em arquitetura, a qual achei muito pertinente para o projeto que venho desenvolvendo em minha formação acadêmica e, continuamente, profissional:
"Os arquitetos não podem mais se deixar intimidar pela linguagem puritana moralista da arquitetura moderna ortodoxa. Prefiro os elementos híbridos aos puros, os que aceitam compromissos aos "limpos", os distorcidos aos "óbvios", os ambíguos aos "articulados", os deturpatos que ao mesmo tempo são impessoais aos tediosos que ao mesmo tempo são "interessantes", os convencionais aos "projetados", os que buscam o acordo aos "excludentes", os redundantes aos simples, os que nos falam do passado aos que são inovadores, os inconsistentes e equívocos aos diretos e claros. Defendo a vitalidade confusa ante a necessidade óbvia. Manifesto-me em prol do non sequitur e proclamo a dualidade.
Sou a favor da riqueza de significados entre a clareza de significado; das funções implícitas ante as explícitas. Prefiro "ambos e ao mesmo tempo" a "um ou outro", o branco e o preto, e algumas vezes o cinza, em lugar do branco ou do preto. Uma arquitetura válida conhece muitos níveis de significado e diversos focos: seu espaço e seus elementos se lêem e funcionam de diversas formas ao mesmo tempo.
Porém, uma arquitetura da complexidade e contradição tem uma especial obrigação para com o todo: sua verdade deve estar na totalidade ou nas suas implicações. A arquitetura deve incorporar a difícil unidade de inclusão, mais do que assumir a fácil unidade do exclusivo. Mais não é menos."