sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Os amares

Primeiro amei na dúvida,
Amei o fato de poder vir a amar-te, ou não!
Depois amei na descoberta,
Um amor fervendo no olhar, mas ainda duvidoso.
Então amei na ânsia de ser correspondida,
Um querer viver o amor que estava nascendo.
Amei no calor da reciprocidade,
Amor quente, apaixonante!
Logo um amor medroso,
A dúvida permanente, devo ou não devo?
E sim...um amor entregue,
Sentimento assumido, com vontade de vive-lo intensamente.
E até amei seduzindo,
Provocantemente querendo amar-te, na forma mais pura e íntima.
Por agora, amei doce,
Um amor de descobertas.

Eu livre

Tenha-me, com todas as suas forças, com toda a sua vontade.
Mas entenda bem, com todo o nosso amor e, também, por todo o nosso amor, livre sou.
A mais livre entre os mais livres ei de ser em cada momento mais.
Livre!
Mas - sim!
Tenha-me toda sua, toda nua, cada centímetro do meu corpo.
Cada pulsar do meu coração, cada olhar meu - apaixonado!
Cada respirar meu - amor!
Sou e serei eternamente sua.
Sou e serei eternamente livre.
E entenda bem - tenha-me por inteira e queira-me assim.
Até o fim - livre sim.
Com ardor, com fervor.

Amor amigo

Quero ser o teu amor amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa

Olhos silenciosos

(...) deixou também aquela vontade de ser corpo com corpo, mente com mente, coração com coração, olhos com olhos, silêncio com silêncio.
...Dos seus olhos silenciosos eu quero as mais profundas histórias