A virgindade, sob o dominó de cor invisível;
O pudor, sob o dominó cor-de-rosa;
O ardor, sob o dominó encarnado;
A esperança, sob o dominó verde;
A fidelidade, sob o dominó azul;
A perseverança, sob o dominó cinza cor de linho;
O langor, sob o dominó violeta;
O coquetismo, sob diferentes dominós;
Os velhos galantes e as tesoureiras caducas, sob dominós púrpura e folhas mortas;
Os cucos benévolos, sob dominós amarelos;
O ciúme taciturno, sob o dominó cinza cor de mouro;
O frenesi ou o desespero, sob o dominó preto.
François Couperin - Ordre XIII, para cravo solo - "referindo-se às cores dos figurinos usados nos bailes das cortes francesas e no carnaval."
sábado, 12 de novembro de 2016
Tarde de quase outono
Meus
olhos enchem d'água.
Meus
sentidos - cada um deles - estão muito apurados.
Ouço
trovoadas gostosas, o barulho do vento em contato com as folhas, o cantar dos
grilos no final da tarde.
Inspiração
profunda.
Junto
com o ar que penetra minhas narinas vem o perfume de mato.
O que
vejo entra pela minha retina com cada detalhe, e tudo é lindo, é puro.
Minha
pele está sensível, sinto o toque da brisa em cada milímetro.
Corpo
quente, com uma energia infinita.
Cada
parte física de mim vibra.
Minha
voz, nestes momentos, cala.
Nada,
nada, nada a exteriorizar em palavras jogadas, pouco valorizadas, perante o meu
estado delicado e único.
No peito
uma gratidão cresce mais e mais.
(...)
Lágrimas
escorrem em minhas faces, coração transborda sentimentos sinceros.
(...)
Neste
instante sou maior que todo o mundo...estou feliz.
Trecho do texto que escrevi sobre a filosofia do DeRose, em março de 2014.
Seção palavras: Paradigma
Podemos definir
paradigma como algo que cerca a intelectualidade, um limite, uma barreira, algo
não físico que nos impõe um padrão, uma maneira de ver o mundo, de agir e de
pensar.
Paradigma é uma questão
cultural e pode estar presente em uma organização empresarial, num modo de executar
uma tarefa, também está presente no modo como nos relacionamos com o mundo
pessoal e impessoal. Tudo o que nos impõe uma regra ou um regulamento pode ser
chamado de paradigma.
Para alicerçar ainda
mais o entendimento do que é paradigma podemos citar algumas palavras análogas
como PROTÓTIPO, REGULARIDADE, FORMA, PERFEIÇÃO.
Por mais que nos
esforcemos para vencer os paradigmas atuais e conseguir enxergar por outras
óticas, sempre teremos novos pontos de vista e comportamentos a nos definir, o
que depende dos acontecimentos e circunstâncias que nos cercam. Quando um
acontecimento incomum nos é proposto, o analisamos conforme nossos paradigmas e
o que não combina com os mesmos, ignoramos ou até mesmo distorcemos a realidade
para não nos dar ao trabalho de mudar uma ótica. Readequamos uma realidade para
encaixá-la dentro dos nossos moldes.
Nossas ações provêm de
repetidas outras ações, quase sempre culturais e impostas pela sociedade,
repassadas pela família, pelos nossos colegas e professores na escola, no
trabalho, e por todas as pessoas que nos relacionamos diariamente em todo
lugar.
Dificilmente paramos
para analisar o motivo de fazer algo da maneira que fazemos ou até mesmo o
porquê agimos como agimos. Alterar o que parece estar dando certo é um processo
árduo e difícil de começar, mas muito importante.
Se analisarmos o modo
de pensar, agir e falar, passamos a ter mais sucesso nas escolhas e,
principalmente, reconhecemos os paradigmas que nos limitam e os utilizamos para
ampliar nossas percepções.
As pessoas
revolucionárias são as que pensam fora dos limites tradicionais e remodelam
algo que aparentemente está dando resultados positivos, mas pode ser ainda
melhor.
Podemos escolher e
remodelar o modo como enxergamos o mundo constantemente. É preciso olhar do
centro para os limites e analisar onde está o erro deste modelo. Para tanto, é
preciso um planejamento, um questionamento anterior a cada nova atitude.
Quando aprendemos a
adotar os paradigmas mais importantes e indispensáveis para nossas atitudes
podemos expandir os nossos limites e ampliar o leque da lucidez. Planejar,
pensar, repensar, analisar, executar, adaptar, ajustar são ações importantes
para quem pensa em alterar as regras.
Também é preciso
coragem e confiança para uma nova ideia. Cada mudança exige um tempo de
adaptação, o que pode gerar alterações em cadeia de muitos outros paradigmas.
Além do mais, se você é pioneiro de uma nova ideia, terá de ter muita
persistência para obter sucesso.
É necessário ter
flexibilidade para uma mudança dos padrões tradicionais. Sair da zona de
conforto fará com que os limites se expandam e dentro dessa nova área haverá
muito espaço de reconhecimento. Quando você amplia suas percepções, o caminho
do centro até a barreira que cerca um determinado paradigma é ainda mais
repleto de regras.
Concluímos que os
paradigmas serão eternos, isso é fato. Não há como excluí-los, e sim
alterá-los. O que podemos fazer diante dessa dificuldade é aprender a cultivar
os que nos fazem bem, os que realmente são agradáveis, os que nos impulsionam a
sermos pessoas melhores, manter os que são extremamente necessários para a
nossa preservação e proteção, por uma questão de segurança, alterar os que são
desagradáveis, e substituir os que nos fazem mal.
Vale repensar cada
atitude, cada pensamento, cada maneira de fazer as coisas, inclusive o jeito
como nos alimentamos, como dormimos, como nos relacionamos uns com os outros,
até mesmo como tomamos banho e nos vestimos. Podemos reinventar um mundo novo a
cada dia.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Bernardes
Tento rever
Cada dia
O sonho de
Cada noite
Em vão...
Vivo o dia
Vivo a noite
Em sonho...
Sérgio Bernardes
Cada dia
O sonho de
Cada noite
Em vão...
Vivo o dia
Vivo a noite
Em sonho...
Sérgio Bernardes
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Aos sensíveis
Muitas coisas me tocam na vida, inclusive a própria vida.
Costumo ter medo da morte, e isso é bem verdade, pelo menos na fase em que me encontro.
Não pelo assombroso pensamento do desconhecido, e sim pela possibilidade de não mais compartilhar essa existência.
Como amo - APAIXONADAMENTE - o meu viver.
Sentir a alma, a minha e a dos que me tocam de alguma maneira.
É!
- Sentir as pessoas -
Cada um que chega, que fica, que permanece.
Entre muitos, principalmente - fortemente - OS SENSÍVEIS!
Tem pessoas que nos olham nos olhos, bem dentro deles, e conseguem transparecer a beleza de si.
A estes corajosos me entrego por inteira.
Às conexões únicas - dar e receber - coração com coração.
Aos que sabem amar, dedico meu brilho, a eterna e intensa gratidão por tornar-me interminável de sensações inesquecíveis.
Aos que me fazem negar a inexistência de emoções, mostro o meu eu mais puro, o mais sincero.
Para juntos sermos mais inspiração.
Para sermos muitos em um.
Para sermos um em muitos!
Aos sensíveis - deixo-me.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Na janela de casa
Beija o vento a brisa
Embala o mar de pensamentos.
Toca os olhos e escuta a pele.
Sente todos os sons.
Rodeia o coração
Permanece na alma.
Embala o mar de pensamentos.
Toca os olhos e escuta a pele.
Sente todos os sons.
Rodeia o coração
Permanece na alma.
O fim dos tempos
- O fim não existe! - gritou a menina. - Percorro a vida colocando ponto em tudo e nada termina. Quem inventou o fim não entende das coisas. É preciso muito começo pra tanto fim que não existe.
- O fim não existe! - gritou a menina.
- O fim não existe! - gritou a menina.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
O sino
Sentada no restaurante hoje, no centro, tive a sorte de
presenciar o bater do sino da igreja. Incrível como esse som me dá imenso
prazer sentimental. Conversei comigo mesma, não pode ser só a mim que toca isso, não! Decidi expor ao Guilherme, amigo meu, que almoçava do lado.
Rimos porque ele disse estar pensando no bater do sino. Me comentou que
durante muitos anos as pessoas usam o sino para saber que é hora de sair do
trabalho para o almoço, e quando ele toca uma hora depois é o momento de voltar
aos afazeres. Achei graça.
Fiquei com isso na cabeça o dia todo.
Intrigante como um som
vira convenção universal, como esse batimento reverbera conexão entre as
pessoas, que de certa forma voltam a atenção para o audível, muitas ao mesmo
tempo.
Já notaram como o barulho do metal produz música e se espalha pela cidade, e a cidade responde com um suave eco?
É bonito ouvir e imaginar que alguém está a fazer a mesma
pergunta que eu: estão ouvindo que especial esse momento?
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